Por vezes faltam-me as palavras, as emoções e a forma certa de organizar tudo o que me rodeia, outras vezes as palavras são demasiadas que me afogam as emoções, essas eu preciso de apanhar ar só para saber que elas, por momentos, permanecem longe, e difícil mesmo é organizar tudo. Deu-me vontade de largar tudo o que fazia e deixar que as palavras me "devorassem". Não sei ao certo, se somos feitos de sonhos, ou se somos de plástico, não sei onde se conjuga uma teoria com a outra, e onde elas se desabam, cada uma por si. Não sei porque tudo se vai "passando", e se doeu antes, porque é que agora não dói. Não sei porque não nascemos ensinados, e porque temos a sensação de andar sempre um passo atrás do que era necessário. Às vezes dá-me para perguntar, outras para responder. Ando enfiada em livros ou, melhor mesmo, a abri-los. Com o bisturi e a espátula de dentista ao lado, uma máquina, outra folhas de papel, a tesoura e a cola e o pincel sempre atrás, os meus fiéis amigos dos últimos e próximos dias. Não sei o que esconde cada rosto, nem como a alma se prende ao corpo, não sei como conseguimos ter tanta e tão pouca personalidade, mas sei que por vezes sabe bem um rosto simpático, um riso, um outro olhar tão ou amis observador que o nosso. E aquele perfume, e aquele cheiro a cigarro pela manhã, e o café aquelas exactas horas acho que cada um de nós tem as suas rotinas, e quebrá-las tanto nos sabe bem como faz falta a quem se habituou a estar ali. Deu-me para conjugar, um passado com um presente deu-me para lhe dizer que também tenho saudades daquilo que está lá atrás, e deu-me para olhar para mim com o olhar do inimigo. Hoje não sei bem ao certo onde me encontro, mas hei-de encontrar-me.